Clientes que sabem demais, ou eu que não sei nada?
Por: Diego Franco - [ April 16th, 2008 ]
Ser arte-finalista ou designer para web não é coisa fácil, tenho certeza que se você é um deles, tem uma série de boas histórias de clientes, que já lhe pediram para desenhar: um pássaro com todas as suas penas em detalhe; ou aquela camiseta com um linear ou um radial dentro de um círculo(fala sério); e aquele que te manda a foto da sobrinha e diz: “desenhe o rostinho dela…”; ou melhor: “na manga direita coloque isto, na esquerda aquilo, na frente você faz assim, atrás você coloca aquele desenho que te mandei por e-mail, e lá em baixo pertinho da barra você escreve aquela frase”; isso sem contar as mais “belas” combinações de paletas para combinar com a cor da camiseta ou para compor o layout do site(nem me fale).
São muitos os clientes que atendemos e dentre eles vários que sabem o mínimo de conhecimento para opinar e outros claro, que não sabem absolutamente nada, mas, que no fundo do seu âmago juram para si mesmos que são experts em criação e design, ou melhor: “Eu estou pagando, então é assim que eu quero”, esquecem literalmente da interação do usuário com o produto, do impacto visual negativo ou positivo, seja ele web, papelaria ou camiseteria.
Foram várias as experiências que tive com clientes extremamente meticulosos e exigentes, entendidos e leigos no que se refere a design, a verdade é: em dias que ainda ouvimos dizer, “o cliente tem sempre a razão”, até que ponto ele realmente tem a razão? Apenas pelo simples fato de estar pagando ele tem a razão?
E assim devemos aceitar suas opiniões acatando-as? Entendo que antes de pagar, existe a necessidade por parte do próprio da requisição de um profissional para suprir a falta de qualificação necessária e experiência em determinada área para executar uma tarefa.
Mas claro, como bons profissionais cabe a nós a incrível arte de “advogar” pela nobre causa de defender um layout ou uma arte que criamos e convencer prudentemente o cliente que, o que criamos é o que realmente ele precisa, nada mais e nada menos, curto e objetivo, direto no alvo, no foco da peça, e ainda, convencê-lo no final do projeto, que não existira profissional ou empresa melhor a não ser a sua para fazer o trabalho.
Portanto na hora de desenhar um novo layout algumas coisas podem te ajudar a diminuir os problemas que levam a reprovação de uma peça:
- - O cliente já possui identidade visual? Meio caminho andado, procure ser prudente para não sair da mesma linha de raciocínio respeitando o material enviado, é quase certo que você não poderá mudar nada. Neste caso, na maioria das vezes uma aprovação logo na primeira amostra é quase certa.
- - O cliente não possui nenhuma identidade visual, nem logomarca, mas respondeu o briefing. Sinceramente eu não arriscaria nem um minuto do meu tempo, tudo bem que o cliente respondeu o briefing passou algumas referências, direcionou o foco, mas você poderá ter problemas com cores, e aplicação de elementos, por exemplo: linhas retas ou curvilíneas? Sendo assim prudentemente não arrisque, seja um profissional, entre em contato com o cliente e solicite o material necessário para dar início ao projeto deixando-o ciente da importância disto e caso ele não tenha logomarca sugira no mínimo; se você não cria logomarcas, alguém gabaritado para desenvolvê-la para ele, com ela será possível ao menos iniciar o desenvolvimento.
- - O cliente tem apenas a logomarca, mas ainda não respondeu o briefing. Posso iniciar o desenvolvimento? Eu digo que sim, mas, todavia, no entanto, entretanto, algumas dúvidas poderão surgir durante o desenvolvimento. O que você irá absorver serão apenas referências de cores, uma leve noção do tipo de público e de linhas que poderá usar: retilíneas ou curvilíneas por exemplo. Particularmente eu não avançaria tanto, deixaria uma margem de tempo para qualquer tipo de modificação ou surpresa que o briefing ou o cliente revelasse.
- - A logomarca do cliente é horrível e não vai mudar. Alguns clientes são bem fechados para mudanças, não aceitam opiniões e assim se torna difícil, mas neste caso nem sempre são exigentes com a aprovação, portanto seja um bom profissional e capriche no layout, quem sabe ele se impressione e veja que a logomarca está totalmente ultrapassada.
- - O cliente enviou a logomarca passou várias referências, mas tem se mostrado indeciso na suas escolhas. Muitas referências principalmente se forem bem diferentes uma das outras, podem ou não lhe ajudar no desenvolvimento de um layout. Neste caso converse bastante com o cliente, é visível que ele precisa de ajuda para centralizar seu raciocínio e chegar num consenso em relação ao design. Talvez nesta hora você precise praticar um pouco de AI (Arquitetura da informação), mostrando para o cliente a importância da disposição dos elementos, a necessidade do usual, do acessível, a preocupação direta com o usuário, levando-o a compreender que o maior interessado em seu produto é o usuário final, desviando um pouco o foco do design, mostrando que nem tudo são cores, bordas, imagens grandes, pequenas etc…, entenda que passar segurança para o cliente é de extrema importância, mostrar-se um verdadeiro profissional que entende do que está falando. Se o cliente por acaso sentir que você está inseguro em suas argumentações, esqueça, ele vai pedir pra você “pintar o sete” no seu design. Acredite.
Não se pode nos dias de hoje ser simplesmente um Designer de Interface, Webdesigner ou Arte-finalista somente, vivemos dias onde o mercado está exigindo que você traga um algo mais, o “plus”, o “extra”, o que realmente fará a diferença na hora de apresentar uma peça publicitária seja ela web, papelaria ou qualquer outro tipo de mídia. Precisamos conhecer o usuário/cliente, como ele pensa, quais são seus comportamentos, quais os principais pontos que determinam a sua satisfação, ele é base para a execução do seu trabalho.
Os pontos acima são meras dicas baseadas em experiências, a busca incessante por novas tecnologias, metodologias, estudos em bases de conhecimentos deve ser constante, para que você se mantenha atualizado. Por exemplo, acho extremamente importante que HOJE o Webdesigner possa ao menos saber o que é: Feed, AJAX, .Net, PHP, CMS, SEO, Semântica, IIS, Apache, MySQL, SQL, XHTML, CSS, Javascript, Web Standards, Padrões Web, W3C, XML, AS2, AS3, Arquitetura da Informação, Folksonomia, Taxonomia, TAGs, Psicologia das Cores, Webwriter, IP, DNS e mais uma porção de coisas que daria para listar aqui.
Talvez você webdesigner não concorde comigo, e olhe que nem expus minha opinião sobre o que realmente webdesigners deveriam aprender. Sinceramente, designers para web pagos somente para criar layouts? Sem saber XHTML? Sei que isto é possível, mas POR FAVOR o mercado quer que você dê o algo mais, já ouviu falar em “experiência”? Conhecimento NUNCA será demais. O que você tem a perder adquirindo conhecimento? Já deu uma olhada nas qualificações que ultimamente o mercado anda exigindo na sua área?
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O Modelando é o site pessoal do Diego Franco Miguel que, atualmente, trabalha como Designer e lidera uma equipe de Agência Web na 
